sábado, 29 de março de 2014

Transitividade verbal: uma relação (amorosa) entre verbo e objeto


Considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos, William Shakespeare é conhecido, principalmente, pelas suas tragédias de amor, verdadeiras obras de arte que permanecem vivas até os dias de hoje. Shakespeare(ar), neste texto, consiste em um verbo. Um verbo transitivo indireto, muito embora devesse ser um verbo intransitivo (?) – e para muitos o é.

Visto sua transitividade, faz-se necessária uma reflexão que extrapole a interpretação do eu lírico, na medida em o objeto indireto deve ser analisado sob a perspectiva de outrem. Tarefa muito bem realizada pelas ciências sociais, é de pouca apropriação por parte dos “cidadãos comuns”, dado a sua complexidade – o que não inviabiliza ensaios laboratoriais... quer dizer, rabiscos e rascunhos.

Parte-se da hipótese, ou melhor, da premissa de que razão não é (deve ser) uma variável explicativa. Dessa forma, o racionalismo de Platão, de René Descartes e de Gottfried Leibnitz é mera elucubração, na medida em que, segundo Shakespeare, “as paixões ensinaram a razão aos homens”.

Para este autor, a análise da transitividade verbal, parte da seguinte colocação: “assim que se olharam [verbo e objeto], amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio”.

E qual seria ele? O mais fácil e trivial, seria julgar o verbo como intransitivo, pois ele não “pediria” qualquer complemento verbal, visto que ele apresenta seu sentido completo. Logo, não haveria “doença” alguma a ser curada. Fim da história (estória). Mas quem haveria de fazê-lo?

Se o próprio verbo o fizesse, não haveria escolha, afinal o objeto responderia, conforme Shakespeare: “aprendi que não posso exigir o amor de ninguém. Posso, apenas, dar boas razões para que gostem de mim [queiram um complemento] e ter a paciência para que a vida faça o resto…”. Porém, o verbo é o agente da frase, logo ele é quem determina, em última instância, qual será o significado da mesma. Ocorre que, frequentemente, esse é um dos maiores enganos da análise sintática...

O objeto, no entanto, tem a função de completar, de dar sentido à frase. Então, ele reluta: “aceita o conselho dos outros, mas nunca desistas da tua própria opinião.”. Ele nada mais faz do que “Shakespeare(ar)”, afinal ele conhece a gama de possibilidades dentro do conjunto “transitividade verbal”. Ele sabe que certos verbos mudam sua transitividade e, logo, ele também precisa se precaver.

Entretanto, o objeto tem plena ciência, ou melhor, conhecimento, de que “é preferível suportar os males que temos a voar para aqueles que não conhecemos”. Conforme destaca Shakespeare, “lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente”, por essa razão, isto é, causa o verbo é tão intransigente. Ele permanece buscando sua intransitividade.

“Em nossas loucas tentativas, renunciamos ao que somos pelo que esperamos ser. (...) Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.”, aclama o objeto. Como sua função é “completar”, ele persiste e insiste. Ele é movido a desafios. E já dizia Shakespeare que “a paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõe”.

No entanto, “sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser” e isso faz com que o verbo repense sua transitividade; sua necessidade de complemento. Shakespeare já afirmava que “a verdade nunca perde em ser confirmada” e, então, o verbo começa a averiguar as evidências... empíricas! Ele pensa: “entra no teu peito: bate, e pergunta a teu coração o que sabe ele.” Mas ele não sabe (ainda)... na verdade, mais parece que não quer saber. Não quer aceitar sua real transitividade.

Então, o objeto se dá conta de que sua função sintática é muita clara e bem definida. E segue o conselho de seu mentor Shakespeare: “se você ama alguma coisa ou alguém, deixe que parta. Se voltar é porque é seu, se não é porque jamais seria.” Mesmo sabendo que alguns verbos variam sua transitividade, e que um mesmo complemento desempenha diferentes funções sintáticas em (con)textos particulares, lembra da afirmação de Shakespeare: “fortes razões geram fortes ações”, porém discorda. Defende, na verdade, que forte emoções geram fortes ações.

Um comentário:

Anônimo disse...

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